16 julho 2015

Dai-me um coração de criança, ó Deus


Não sou pai. Minha maior responsabilidade foi uma daschund obesa que viveu até os sete anos de idade. Não consigo imaginar qual o sentimento de paternidade, então hoje eu falo como filho, que é mais minha área.
Eu, como filho, me sentiria devastado se meus pais se esquecessem de mim. Lembro de uma vez em que devido ao movimento da loja, minha mãe se atrasou no horário de buscar-me na escola... e o sentimento de abandono que senti era uma mistura de raiva, dor e tristeza. Quando ela chegou, lembro de entrar no carro emburrado (coisa que não é muito difícil), com raiva e fazendo bico... Mas por dentro eu só queria abraçá-la, chorar e falar "que bom que você chegou"!
Criança é assim! Tem aquela raiva, sente a dor, mas dois minutos depois é como se nada tivesse acontecido! E o que isso me lembra? Me lembra que o próprio Jesus diz em Mateus: 18. 3. "Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus."
Meu Deus! Como isso é difícil! Quase inalcançável, né? Existem tantas ocasiões! E se tivermos sido traídos, esquecidos? E se tivermos sido abandonados? O sentimento é tão ruim! Isso pode (e irá!) acontecer inúmeras vezes na sua vida e na minha vida, mas temos que lembrar que o próprio Deus nos afirma que "mesmo que uma mãe se esqueça de seu filho, Eu, todavia, não me esquecerei de ti." (Is 49. 15)
Mas e se nos sentirmos esquecidos por Deus? Aí é hora de sermos conscientes. Deus não se esquece de nós, nós é que nos esquecemos dEle.
Nós é que deixamos de ser como crianças, e ir sempre correndo aos braços do Pai, sempre querendo resolver nossos problemas com nossa própria força, querendo sempre ser independentes. Porém, devemos nos lembrar sempre que quando nos fazemos como crianças e corremos à Ele, não há nada e nem ninguém que nos impeça de chegar até os seus braços!
"Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus." (Mt: 19. 14)

Um comentário:

Adão Paiva disse...

Amei esse texto Mano.
Me identifiquei nos momentos que ficava "bala" com meu pai também, e quantas vezes até com Deus quando algo que queria muito não acontecia.