03 outubro 2025

Tchau!

Esse rapaz não existe mais. O adolescente que eu fui morreu antes mesmo de mim. Morreu soterrado por frustrações, pelas promessas que nunca se cumpriram, pelos caminhos que se fecharam um a um.


Aquele garoto carregava fé demais para o tamanho do corpo, acreditava que o amanhã guardava milagres. Hoje é apenas pó de memória.


O Vinícius que seria nunca existiu. A verdade é que a morte veio muito antes, discreta, silenciosa, roubando aquele adolescente que sonhava. Foi ele quem morreu primeiro. Restou apenas a sobra, um corpo que envelheceu, mas que nunca mais carregou a chama que tinha nos olhos. O peso da ausência dele é maior do que qualquer queda.


Sou eu quem escreve, mas não sou mais ele. Caminho como casca, sem raízes, sem destino. Falo, respiro, cumpro funções, mas por dentro só há silêncio. Silêncio e cinzas.


Não há retorno. Não há reencontro. Só… tchau.


29 maio 2017

Deus não busca uma geração deprimida




Durante anos ouvi o versículo de 2 Crônicas 7:14 ("E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra") se repetir inúmeras vezes.

Sua aplicação se refere ao arrependimento, a súplica, ao clamor em busca da misericórdia de Deus. É uma instrução de Deus à Salomão, em um momento de escolhas do sábio rei. Hoje, na dispensação da graça, vivemos em uma outra época, conquistada através de um único e exclusivo motivo: o sacrifício de Jesus.
Tudo isso já foi conquistado para nós na cruz.

1. "então eu ouvirei dos céus..": Jesus é o nosso intercessor, o motivo do véu ter sido rasgado, nosso acesso direto ao Pai. O Pai te ouve através do Filho.
2. "...perdoarei os seus pecados...": Jesus foi o sacrifício necessário para que tivéssemos o perdão gracioso (o escândalo da graça!).
3. "... sararei a sua terra.": O sangue de Jesus já fez isso. "Ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Isaías 53).

E o que quero dizer com isso? Que não teremos problemas? Claro que não!
O próprio Jesus nos afirma que no mundo teremos aflições, mas nos orienta a ter BOM ÂNIMO, porque ELE VENCEU o mundo.
Se aposse de uma vitória que já é sua. Ele já conquistou!
Através da conversão à Cristo, recebemos o ânimo necessário para que vivamos dia após dia nesse mundo a qual somos estrangeiros. Se aprendemos a viver Jesus e sua fabulosa graça, começamos a viver a alegria de termos encontrado o caminho para o nosso destino celeste.
Quando nos convertemos verdadeiramente ao evangelho de Cristo, logo aprendemos que somos os menores, servos de todos os irmãos. Temos a oração como estilo de vida, como combustível diário para vencermos o mundo. A busca pela face do Senhor e sua contemplação é nosso prazer. Abandonamos as vivências do mundo e o pecado, através de um processo realizado pelo Espírito Santo (é Ele quem nos convence do pecado, do juízo e da justiça).
Viva com ânimo, alegre-se! Jesus já conquistou a vitória por nós. Está consumado!
Temos visto, dia após dia, uma religiosidade entrar no meio cristão com um requisito: a infelicidade ao estar diante de Deus. Devemos ter cuidado, pois em um mundo em que problemas como a ansiedade e depressão tem entrado cada vez mais na sociedade e consequentemente na igreja, temos que lembrar da nossa diferença. Nós encontramos o motivo da nossa alegria. E Ele é suficiente para ver o mundo de maneira diferente. 
Alegre-se. Veja o mundo através da maravilhosa experiência de conhecer Jesus.


"Tenho dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa." (João 15:11)

28 janeiro 2017

A Identidade que nos marca

O tempo muda muita coisa.
Nossas escolhas acabam definindo nossos muitos caminhos, e nos vemos em ciclos de colheita que atingem profundamente nosso ser.
Somos diariamente inundados por consequências de nossas atitudes, mesmo através da graciosa misericórdia de Deus.
Apesar de tudo isso, quando temos um encontro e uma vida em Deus, somos eternamente marcados por seu poder.
Um dia sequer vivendo o que Deus tem pra nós vale mais que mil vivendo nossa própria vontade.
Quando encontramos a Cristo, através do seu espírito, somos quem fomos feitos pra ser.
Vivemos a plenitude e intensidade do nosso chamado.
Podemos fugir, mas a identidade de filho que nos é dada nunca será apagada da memória — nem da nossa e nem dos que nos cercam.

A cruz revela nosso propósito. E nunca mais somos os mesmos.

"Nele, quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória​." (Efésios: 1. 13-14)

10 julho 2016

Os quatro pontos de confronto

"Certo sábado, entrando Jesus para comer na casa de um fariseu importante, observavam-no atentamente.
À frente dele estava um homem doente, com o corpo inchado.
Jesus perguntou aos fariseus e peritos na lei: 'É permitido ou não curar no sábado?'
Mas eles ficaram em silêncio. Assim, tomando o homem pela mão, Jesus o curou e o mandou embora." (Lucas 14:1-4)

Depois dos últimos acontecimentos na mídia, resolvi, antes de tudo, me refugiar na palavra. Pedi a Deus uma direção pra entender algumas coisas, e Ele me ministrou profundamente nesses versículos.


O primeiro ponto é: Jesus entrou para comer na casa de um fariseu, mestre da lei. Ele estava ceiando junto aos que, posteriormente, seriam chamados de "hipócritas". E Ele estava lá.

O segundo ponto é: pode-se curar alguém, mesmo quando as regras e a religiosidade direcionam para que não? É possível olhar pra alguém com olhar de graça, mesmo sendo essa pessoa um doente - inchado de pecados e culpas? Seguindo o texto, aprendemos que sim.


O terceiro ponto: Os fariseus ficaram em silêncio. É muito fácil nos colocarmos na posição de Jesus, como agentes de cura, mas e quando nos comportamos como fariseus? E quando queremos impor regras, e acabamos sendo extremamente julgadores e legalistas? 


Quando assim nos apresentamos, deveríamos aprender pelo menos isso com os fariseus: nos manter em silêncio para que Jesus aja. Aprendam: você não precisa ter uma opinião sobre tudo. No momento em que você clama por graça para um lado e condena o outro ao inferno, você se iguala por baixo. A graça está disponível para todos que a buscarem.

O quarto e último ponto: Ele curou, e o mandou embora. Aquele doente foi curado por Jesus e partiu, carregando em seu corpo um milagre e a cura de Cristo, sabendo que o milagre foi através dEle.
Temos que ter consciência que nossa cura, libertação e salvação foi e é unicamente através do poder que há em Jesus. Não tornemos nosso testemunho algo que venha trazer mais orgulho a nós mesmo do
que glória ao nome do Cristo.


Que aprendamos a saber que a cura, libertação e restauração vem de Cristo. E, assim como os fariseus, quando Deus trabalha, muitas vezes nós só temos que aceitar as "quebras de regras" e ficarmos em silêncio.


Há poder em Jesus, por Jesus e através de Jesus.

13 fevereiro 2016

Crescer



"Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino." (1 Coríntios: 13. 11.) 



Como assim, Paulo!? Como acabar com as coisas de menino, se o próprio Jesus nos manda ser como crianças?
A resposta é simples: meninice é diferente de inocência.
Jesus nos orienta sermos inocentes, puros, livres como crianças... Mas Paulo nos deixa bem claro que temos que deixar as meninices de lado.
Temos que amadurecer nossa mente, deixar de infantilidades que só prejudicam a nós mesmos. Uma das coisas que tenho sido confrontado tem sido a seguinte alusão: já viu menino machucado querer passar remédio? Já viu menino querer ir no médico por causa de um tampão de dedo perdido na pelada no asfalto? Eu nunca vi.
Menino foge de remédio porque remédio dói. O curativo incomoda. Cicatrizar dá trabalho.
Muitas vezes nos comportamos como meninos, fugimos da cura de nossas feridas. Nos recusamos a buscar a cicatrização, e isso só piora as coisas, aumenta a dor, abre mais o machucado, e essa ferida pode ser porta para infecções e quando você se dá conta: generalizou.
A infecção tomou conta do seu corpo, da sua alma, e ficou tudo mais difícil de ser curado.
Muitas vezes deixamos nossas feridas tão expostas que, com facilidade, outra pessoas vem e machucam mais ainda.
Mas ei! Ele é Jeová Rafa! O Deus que sara! Ele é a solução pra nossas feridas. Ele cura nossas almas. Ele é o mesmo do começo.
Temos que abandonar nossas vontades infantis e nos comportarmos como homens.
Temos que ser pessoas que reconhecem suas feridas, mas que permitem que sejam curadas.
Que amadureça o menino em mim e que o homem que apareça - por mais falho que seja - seja sempre um homem segundo o coração de Deus.
É o que peço.

Amor em várias formas


Achei legal e resolvi postar. :)

+ JESUS

"Acima de tudo, no entanto, revesti-vos do amor que é o elo da perfeição. Seja a paz de Cristo o juiz em vossos corações, tendo em vista que fostes convocados para viver em paz, como membros de um só Corpo. E sede agradecidos. Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo; ensinai e aconselhai uns aos outros com toda a sabedoria, e cantai salmos, hinos e cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão no coração." (Colossenses: 3. 14.16)
Confesso que o que vejo na Igreja brasileira me entristece.
Feridas abertas, palavras sendo proferidas como se fossem flechas para ferir, discursos inflamados e inflamáveis que apenas abastecem mais os incêndios provocados pelo ódio, rancor e amargura.
Posso testemunhar que um dia Deus me cobrou uma posição, e tenho me esforçado ao máximo para viver isso: ser um apaziguador e um facilitador.
O mundo já tem críticos e dificultadores demais.
Quem me conhece sabe o quanto isso é, de certa forma, difícil pra mim.
Sempre fui crítico, cético, e gostei de ver o circo pegar fogo... Até que um dia o fogo me alcançou e causou em mim queimaduras das mais profundas - difíceis de cicatrizar, que me deram dores tão agudas que minhas bases estremeceram.
Quando vejo comentários, compartilhamentos, likes, piadas, frases preenchidas com rancor, ódio, ingratidão, meu coração desfalece em tristeza, ao ver que a Igreja hoje vive através de doutrinas e não através do amor.
É triste saber que as pessoas vivem cartilhas, e não a Cristo.
É triste saber que a graça basta pra alguns, e a lei é imposta sobre os outros...
É difícil, mas faço parte de uma geração que está farta de um sistema falido (pelo menos no quesito interior, já que o exterior...).
Me chamem de rebelde, subversivo, pecador, hipócrita, fingido. Mas nunca me senti tão em paz em Cristo.
Os problemas me cercam, a fraqueza e o cansaço vem, mas terminar o dia e sentir a paz de Cristo comigo é algo que não tenho como explicar.
Reflita:
Mais amor, por favor.
Mais facilitadores.
Mais apaziguadores.
Mais gratidão.
Menos ódio.
Menos rancor.
Menos mágoa.
Menos minha vontade.
Mais Jesus. Emoticon smile

Cuidado

1 Pedro: 5. 6. "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; 7. lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós."

Ele sabe de tudo. Ele conhece os nossos corações. Ele sabe quando é a hora certa pra colher.
O Pai sabe.
Meu dever é me humilhar, orar, confiar, perseverar, permanecer. 
Lançar minha ansiedade, meus medos, minhas angústias sobre a cruz dEle, não ignorando esses sentimentos - pois eles existirão - mas subjugando-os perante a verdade: Ele tem cuidado de nós.
Nenhum medo pode prevalecer, porque o amor dele cobre tudo. O cuidado dEle é perfeito.
E a minha obrigação é me aconchegar em seus braços, mesmo que o riso esteja transformado em pranto, e esperar.
Porque Ele tem cuidado de mim... 

16 julho 2015

A Tempestade


O que é uma tempestade? 
Sempre que ouvi essa palavra, foi simbolizando algo ruim.
Uma tragédia, uma desgraça, um problema, uma tribulação... A tempestade sempre é vista como algo que destrói sem piedade, que invade moradias, que derruba edificações, muitas vezes é o motivo de destruição de cidades inteiras... Algo natural, que o homem não pode conter, e diversas vezes já ouvi sendo usado até como um adjetivo para a "fúria de Deus".
Desde que ouço ministrações a respeito das tempestades, especificamente a relatada no Evangelho (Mt 8, Mc 8, Lc 4) o fim é sempre o mesmo: "em meio a tempestade, confie, pois Jesus está no barco e tem poder para acalmá-la".
E não estou aqui querendo retificar algo que é apresentado explicitamente!
Jesus acalma sim tempestades, Ele tem o controle dos ventos, das águas! Ele tem o poder e o interesse de conter as tempestades da sua vida, quando estas simbolizam as situações citadas acima.
Mas hoje estou aqui para expor uma outra visão de tempestade.

Hoje eu quero falar da tempestade que é o amor de Deus.
Uma tempestade que, diferente das outras, respeita nossa "privacidade", mas quando permitida, é igual todas...
Quando nos permitimos viver a força dessa tempestade, ela age como uma outra qualquer! Vem derrubando muros de mágoa, muralhas de ódio, destrói edificações de medo, inunda porões que serviam para manter pecados escondidos... Vemos tudo ser inundados e impactados com a força da tempestade que é amor de Deus!
E como qualquer tempestade, ela cria um desconforto, causa bagunça, traz à tona coisas que estavam submersas nos mais profundos poços de nossos corações... E é aí que devemos lembrar que como qualquer outra tempestade causadora de inundações, essa também tem suas ondas... Ondas de misericórdia, que levam nossos pecados e culpa para o mar do esquecimento, e que preenchem os buracos que ficam com a mais pura graça! Uma graça sem fim, a qual não vejo definição que se encaixe melhor do que "um oceano".
Apesar de cantarmos isso, será que pensamos no que isso significa?
Se a graça é realmente um oceano, então qual o motivo de ficarmos dentro do barco? Por que nos contentamos em, no máximo, colocar nossos pés para fora?
Por que não nos deixamos ser derrubados pela tempestade no mar de glória?
Por que não nos deixamos afogar nessa graça?
Se o que nos impede de nos jogarmos nesse oceano for o medo "de não saber nadar", de não saber lidar com isso, não nos esqueçamos de que o perfeito amor lança fora todo o medo (1Jo4:18)! Quando nos deixamos ser envolvidos nessa tempestade de amor, não tem medo que nos impeça de pularmos para fora do barco! Sejamos inundados pela graça!
Se a tempestade realmente simboliza fúria, então que esse amor furioso invada nossos corações!
Eu particularmente preciso desse amor! Eu necessito me construir todos os dias! Trocar o caos por paisagens de esperança, edificações de amor, caminhos de fé!
Convido você hoje a permitir a tempestade a entrar e inundar tudo!
Convido você hoje a se jogar do barco! Não tenha medo!
Se o amor de Deus for realmente uma tempestade, deixe que ela invada seu coração! Se a graça realmente for um oceano, afoguemo-nos!


O medo, a verdade, a sinceridade e a paz



"Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. (...) Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo." (João 20:19/21-23)
Desde a infância sentimos medo. Alguns maiores, outros menores... Medo do escuro, de altura, de algum tipo de animal, e com o passar do tempo nossos medos vão ficando mais "maduros"... Passamos a temer situações, complicações, problemas e, com toda a nossa humanidade, sabemos que isso é normal.
Porém, o que os versículos acima me ensinam é que, acima de tudo, devemos ser verdadeiros. Verdadeiros com Deus.
Os discípulos temeram, se trancaram, mas mesmo assim Jesus apareceu à eles, e a primeira coisa que Ele trouxe àquele meio foi a paz. Essa é a nossa diferença como cristãos. Apesar do medo, temos a nosso alcance essa paz, a paz que excede todo o entendimento.
Temos como presente o Ajudador, que nos ajuda a enfrentar nossas batalhas, pois ter coragem não significa não ter medo, mas prosseguir apesar do medo.
Temos de ter confiança e um coração sincero, pois ao levar o Filho, Deus nos enviou o Espírito Santo, o mesmo "espírito que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas nós o conhecemos, porque habita conosco, e está em nós." (João 14:17), o Espírito da Verdade.

Dai-me um coração de criança, ó Deus


Não sou pai. Minha maior responsabilidade foi uma daschund obesa que viveu até os sete anos de idade. Não consigo imaginar qual o sentimento de paternidade, então hoje eu falo como filho, que é mais minha área.
Eu, como filho, me sentiria devastado se meus pais se esquecessem de mim. Lembro de uma vez em que devido ao movimento da loja, minha mãe se atrasou no horário de buscar-me na escola... e o sentimento de abandono que senti era uma mistura de raiva, dor e tristeza. Quando ela chegou, lembro de entrar no carro emburrado (coisa que não é muito difícil), com raiva e fazendo bico... Mas por dentro eu só queria abraçá-la, chorar e falar "que bom que você chegou"!
Criança é assim! Tem aquela raiva, sente a dor, mas dois minutos depois é como se nada tivesse acontecido! E o que isso me lembra? Me lembra que o próprio Jesus diz em Mateus: 18. 3. "Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus."
Meu Deus! Como isso é difícil! Quase inalcançável, né? Existem tantas ocasiões! E se tivermos sido traídos, esquecidos? E se tivermos sido abandonados? O sentimento é tão ruim! Isso pode (e irá!) acontecer inúmeras vezes na sua vida e na minha vida, mas temos que lembrar que o próprio Deus nos afirma que "mesmo que uma mãe se esqueça de seu filho, Eu, todavia, não me esquecerei de ti." (Is 49. 15)
Mas e se nos sentirmos esquecidos por Deus? Aí é hora de sermos conscientes. Deus não se esquece de nós, nós é que nos esquecemos dEle.
Nós é que deixamos de ser como crianças, e ir sempre correndo aos braços do Pai, sempre querendo resolver nossos problemas com nossa própria força, querendo sempre ser independentes. Porém, devemos nos lembrar sempre que quando nos fazemos como crianças e corremos à Ele, não há nada e nem ninguém que nos impeça de chegar até os seus braços!
"Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus." (Mt: 19. 14)

12 julho 2015

O amor do Amor

 



João, filho de Zebedeu, foi um dos primeiros discípulos de Jesus.
Conhecido como filho do trovão, personalidade forte, quis aniquilar os que não o receberam. (Lc 9:53)
Esse João é o mesmo que prega o amor incessantemente em suas cartas.
O que mudou?
João encontrou o Amor, e não satisfeito, tornou-se íntimo dele.
Acabou sendo descrito como o discípulo amado - e o que mais amou.
Mas não foi andar perto de Jesus que mudou João dessa forma. Foi o sacrifício da cruz.
João viu de perto o Amor sangrar.

João viu de perto o Amor sofrer.
João viu de perto o Amor morrer.


João viu de perto o Amor ressuscitar.
João viu de perto o Amor vencer.


O ato de amor do Amor transformou a vida de João.

Um ato de amor seu pode mudar o seu próximo, a sua casa, e até a vida de um desconhecido... Mas o principal é: um ato de amor seu, muda você.
 

Antes de mais nada, ame.

"Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é amor." (1 João: 4. 8.)

"... Ele não abriu a boca."

 "Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca" (Isaías 53:7)



Mateus: 27. 13. Foi quando lhe questionou Pilatos: “Não ouves a acusação que todos levantam contra Ti?”  14. Jesus, entretanto, mantinha-se em absoluto silêncio; e, por isso, ficou o governador fortemente impressionado.

Existem muitos motivos pelo qual eu sou assumidamente um admirador da pessoa de Jesus, mas essa ocasião e atitude são especiais.
Já havia sido ministrado sobre o silêncio de Jesus outras vezes, mas hoje observei algo diferente.
Poucas horas antes de estar perante Pilatos, Jesus se retirou para o Getsêmani com seus discípulos mais próximos, e lá se afastou para uma conversa íntima e sincera com o Pai.
E agora ele estava ali, sendo acusado de diversas coisas. Ele, Jesus, o homem que teve um anjo enviado para encorajá-lo. O filho unigênito. O messias. Aquele que não tinha nenhum pecado. O homem que curou feridas em corpos e em almas. O salvador, estava ali, perante diversas acusações, e o mais incrível de tudo: calado.
Pra mim, isso fala mais que cem defesas,  vinte parábolas e trinta milagres.
Saber a hora de ficar calado é algo que admiro em Jesus. E o mais importante: saber que você não é menos benção por se calar.
Se o próprio Jesus passou por um período de profundo silêncio em sua jornada, por que não passaríamos?
O silêncio na hora certa é a prova de que Jesus sabia que há tempo para toda coisa embaixo dos céus, inclusive para se calar.
Eu peço que Deus me ensine a ser um homem segundo o seu coração em todo momento, tanto no que falo, quanto no que me abstenho de falar.
Existe a hora de falar e a hora de ouvir.

A mensagem que prego age na mudança do próximo, mas é o silêncio que vivo que age na minha própria mudança.

Ele é quem restitui

Lucas: 7. 12. Ao se aproximar da porta da cidade, estava saindo o enterro do filho único de uma viúva; e grande multidão da cidade a acompanhava.  13. Ao observá-la, o Senhor se compadeceu dela e a encorajou: “Não chores!”  14. E aproximando-se, tocou no esquife. Então, os que o carregavam pararam. E Jesus exclamou: “Jovem! Eu te ordeno: levanta-te!”  15. No mesmo instante, o jovem que estivera morto se pôs sentado, e começou a conversar, e assim Jesus restituiu o jovem à sua mãe.

Ele é o homem que sente piedade da viúva.
Ele é o Deus que encoraja o coração.
Ele é o homem que aproxima-se do esquife.
Ele é o Deus que ordena a reação.
Ele é o homem que fala com o coração sem vida.
Ele é o Deus que restitui a esperança do devastado.
Ele é o Deus que restaura a vida na morte.
Ele é o Deus que habita em nós.

Pessoas desamparam, Deus não.


"2 Timóteo: 4. 16. Na minha primeira defesa, ninguém se fez presente para me ajudar; pelo contrário, todos me desampararam. Contudo, que isto não lhes seja imputado em juízo.  17. Todavia, o Senhor permaneceu ao meu lado e me abençoou com forças para que por meu intermédio a Mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os que não são judeus a ouvissem. E eu fui livrado da boca do leão!"


Paulo me ensina muito nesses versículos.
Ele veio após Jesus, já pregava sobre o abandono do Cristo na cruz. Não era algo "novo", mas mesmo assim, no momento de defesa, todos os amigos sumiram.
Mas Paulo não abaixa a cabeça! E não se importava se ninguém o tinha ajudado, não guardava rancor por isso! Inclusive pede para que isso não seja imputado no juízo dos amigos! Ele tinha a certeza que Deus estava com ele todas as horas, fortalecendo-o e livrando-o da boca do leão, e isso bastava pra ele continuar seguindo o chamado! Glória a Deus!

Preservando a boa consciência


"Timóteo, meu filho, dirijo essa orientação a ti, levando em consideração o que as profecias anunciaram a teu respeito; com base nelas, luta o bom combate, preservando a fé e a boa consciência; porquanto algumas pessoas, vindo a rejeitá-la, naufragaram na fé." (I Timóteo 1:18-19)

Todos vivemos nossos tempos difíceis.
As lutas vem de forma avassaladora, que nos desestabilizam.
Somos humanos. Eu sou humano. Você é humano. Erramos.
Somos constantemente lembrados à lutar o bom combate e então a igreja criou guerreiros, "soldados da fé", dispostos a enfrentar guerras, provações, deixar as feridas de lado e ir à luta.
Mas somos humanos. Eu sou humano. Você é humano. Somos feridos no caminho. Não estamos todos os dias preparados para uma guerra. Soldados feridos morrem em campos de batalha.
Somos constantemente lembrados a preservar a fé. "Dias melhores virão. Os lagares se encherão de vinho. O melhor de Deus ainda está por vir. O fim do deserto está próximo."
Mas nossa glória não é aqui. Não somos cidadãos desse mundo. A recompensa é a glória eterna.
Sabemos tudo isso. Ouvimos tudo isso... Mas e a nossa consciência, como está?
Vivemos em um tempo em que muitas pessoas entram e saem de igrejas sem saberem quem são em Deus.
Ouvem dizer que são "cabeças e não caudas", "líderes de gerações", "profetas de fogo". Mas e pra Deus? Quem somos?
Eu sou o que a bíblia diz que eu sou: "vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas daquele que vos convocou das trevas para sua maravilhosa luz." (1Pe2:09)
Não venda sua consciência de filho amado por ilusões de uma vida longe dos braços dEle.
Não naufrague sua fé por ditarem quem você é.
Antes de tudo, somos propriedade EXCLUSIVA dEle. Mesmo se os ministérios acabarem, se os amigos falharem, se o medo surgir.
No fim, nada disso importa.
Não pertencemos a este mundo. Não somos propriedade de instituições. Não somos propriedade de relacionamentos. Não somos propriedade de nossas quedas. Nossas falhas não nos controlam. Nossos pecados não nos isolam.
Preserve em sua consciência: nada pode mudar o fato que você é filho agraciado com o amor de Deus, e isso basta para continuar lutando o bom combate e preservando a fé.

Cuidado de Deus


1 Pedro: 5. 6. "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; 7. lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós."

Ele sabe de tudo. Ele conhece os nossos corações. Ele sabe quando é a hora certa pra colher. O Pai sabe.
Meu dever é me humilhar, orar, confiar, perseverar, permanecer. Lançar minha ansiedade, meus medos, minhas angústias sobre Ele, sobre a cruz dEle, não ignorando esses sentimentos, pois eles existirão, mas subjugando-os perante a verdade: Ele tem cuidado de nós.
Nenhum medo pode prevalecer, porque o amor dele cobre tudo. O cuidado dEle é perfeito.
E a minha obrigação é lançar sobre Ele a minha ansiedade, me aconchegar em seus braços, mesmo que o riso esteja transformado em pranto, e esperar. Porque Ele tem cuidado de mim..

As águas não apagam o amor, mas coloca-o em evidência.


“As muitas águas não podem apagar este amor, nem os rios afogá-lo;” (Cantares 8:7a)

Já ouvi este versículo milhares de vezes, já vi diversos usos para ele e sei que talvez, aos olhares mais críticos e céticos não se encaixe com o que exporei, mas difícil não aludir.
Passamos por um período difícil, uma enchente de proporções nunca antes vistas em nossa cidade.
Vimos o “aqui não alaga” se transformar em “nunca tinha chegado aqui antes”. Riscos nunca antes cogitados, ou pelo menos não levados a sério... Uma tragédia que ainda torcemos para o fim.
Mas é lindo – na medida do possível – ver o amor vencer. É nessa hora que o coração arde. A fé é provada. A perseverança crescida. A esperança regada.
O Brasil parou para nos olhar. Não para o rio. Para nós. E nós, paramos para olhar uns para os outros. Os antes invisíveis estão na frente dos nossos olhos. Os antes ‘pretos e brancos’ ganharam cor.
E têm tanto para nos ensinar. Confesso que gostaria de enxergar assim sempre, e que não fosse necessário que houvesse uma tragédia para isso acontecer.
Se me perguntarem o que eu perdi nessa histórica alagação... Bom, não perdi minha casa, mas perdi uma parte de mim. Uma parte que não conseguia mais enxergar a necessidade de levar o bem onde prevalecia o mal.
Estamos sangrando e não precisamos abrir mais a ferida. Façamos nossas partes para estancá-la, para curá-la. Não importa de quem é a responsabilidade, importa é o que podemos fazer.
Estamos vivendo o amor, e as águas não serão capazes de apaga-lo e muito menos afoga-lo. Além das marcas deixadas pela água, espero que mantenham-se as marcas deixadas pelo amor.
Que aprendamos e perseveremos vivendo este contínuo amor!

“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.
Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.
Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.
Amados, se Deus assim nos amou, também nòs devemos amar uns aos outros.” (1 João 4:8-11)

Silêncio!


"Então, passou a ser acusado pelos chefes dos sacerdotes e pelos anciãos, mas Ele nada respondeu. Foi quando lhe questionou Pilatos: “Não ouves a acusação que todos levantam contra Ti?”. Jesus, entretanto, mantinha-se em absoluto silêncio; e, por isso, ficou o governador fortemente impressionado." (Mateus 27:12-14)

Qual o valor de uma palavra? Quando me pergunto isso, confesso que vem diversas situações na minha cabeça.
Uma palavra pode por fim a um relacionamento, mudar o rumo de uma carreira de sucesso, resolver ou piorar situações; uma palavra pode curar ou ferir, salvar ou matar, ajudar ou atrapalhar...
Desde cedo ouvimos que "as palavras têm poder", e criamos uma cultura em volta disso: buscamos sempre ter a palavra certa pra dizer. Valorizamos as pessoas que sabem se expressar bem, que sempre tem uma palavra de consolo, ou então aquela pessoa que deixa todos sem argumentos, sempre com a coisa certa pra dizer.
Confesso que sempre busquei saber o que dizer, sempre me armando de respostas, argumentos e claro: boas palavras, mas Jesus me ensina a valorizar outra coisa: o silêncio.
Quando leio esses versículos, vejo o quanto o mestre valorizava o silêncio, se calando em meio à acusações e lutas, mesmo sabendo tudo o que viveria poucas horas depois.
Não quero menosprezar o poder das palavras, e creio sim que há a necessidade da sabedoria com elas, mas tão importante como estas é o silêncio. Saber o momento de se abster de seu direito de resposta, de seus argumentos, e simplesmente se calar.
Muitas vezes, uma lágrima dirá mais que mil declarações, um abraço valerá mais que uma hora de palavras de consolo, um sorriso falará mais que dez agradecimentos.
Entre suspiros carregados de fé, busco inserir o silêncio em minha vida.
Não só exercendo-o, mas aprendendo a lidar com ele... Afinal, não é apenas o nosso silêncio que tem valor: o silêncio Dele faz toda a diferença.